segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Capítulo 1 - A chegada do inverno. - Pg. 2

Julia, apesar de ter apenas doze anos de idade, aparentava ter treze, pelo seu jeito.
Enquanto arrumava suas roupas e alguns brinquedos, pensava em mil coisas. Pensava em como ia aproveitar o inverno com a sua avó. Ela adorava viajar para visitá-la. As duas não faziam muitas coisas juntas, mas ela gostava mesmo assim. Mas sempre teve um certo receio. Sempre desconfiou um pouco da avó, mas sem motivo algum. Sua avó era como ela: gostava de desafios. E adorava sonhar. Quando sonhava, se sentia tão feliz, que gostaria de permanecer sonhando a vida inteira. Mas, como vive dizendo sua mãe, não podemos sonhar a vida toda. Sonhos são apenas sonhos, não se realizam. Sua mãe, diferente de sua avó, sempre foi mais “insensível”, e mais “realista”. Talvez porque perdeu o pai logo cedo. Mas, se pensarmos por este lado, a avó de Julia também perdeu o marido e não se tornou uma pessoa tão arrogante como sua mãe. Mas Julia sabia que, apesar de tudo, sua mãe era uma boa pessoa. Ela podia até ser insensível, um tanto egoísta às vezes, pessimista demais... Mas mesmo assim, era uma boa pessoa. Nunca ousou desejar mal algum a ninguém. Julia sabia disso melhor que todos.
Quando terminou de arrumar as roupas, fechou a mala e a colocou numa cadeira de madeira que havia em seu quarto. Trocou de roupa e foi dormir. Sua mãe,como de costume,mais tarde resolveu abrir a porta do quarto para desejar uma boa noite à menina. Aproximou-se à cama, e deu um beijinho bem delicado na testa de Julia. A mãe de Julia, Srª. Lanah, não sabia que, sempre que fazia isso, Julia ainda estava acordada. Mas ela nunca acordava e retribuía o beijo e o “boa noite”. Ela sempre ficava quieta para não estragar o momento. Gostava muito de sua mãe.
Lanah saiu do quarto sorrindo, feliz por ter sua filha, sua casa, sua vida. Feliz por existir. Foi para o quarto, apagou as luzes, aproximou-se à cama, pensou em sua mãe e em sua filhinha que agora dormia. E nessa onda de pensamentos, acabou fechando os olhos. Ela dormia.
Julia estava dormindo,deitada confortavelmente em sua cama. Até que teve um sonho. Um sonho bem estranho...
Ela estava em uma casa no meio da floresta. Uma casinha bem velha,de madeira. Parecia abandonada. Aquele lugar também não parecia ser uma floresta. Tudo estava meio destruído. Julia sempre foi muito curiosa, então decidiu vasculhar a casa. Ela estava sentada num sofá velho e com um cheiro um tanto desagradável. Ela se levantou e foi em busca de algo. Ela só não sabia o quê.
E foi aí que ela viu um quadro. Ele tinha uma moldura que parecia ser de ouro. Um ouro bem velho. Mas não foi a moldura de ouro que atraiu Julia. E sim a bela pintura. Pintura que retratava uma moça de cabelos lisos,bem negros. Julia se perdeu na escuridão dos cabelos da garota.

domingo, 23 de outubro de 2011

Capítulo 1 - A chegada do inverno. Pg. 1

Era um dia chuvoso. O frio tomava conta da cidade de Deth, anunciando que o Inverno já havia chegado. Julia estava na rua, sozinha, e olhava para o vasto céu como se ele fosse seu refúgio. Observava atentamente cada gotinha que caía. Ela sorria. Sem malícia, sem fingimento, sem maldade. Apenas com a inocência de uma criança. E aquele fantástico sorriso ao perceber que estava esfriando. Ela ama a primavera, mas prefere o Inverno. De repente, percebeu que já estava tarde demais, e que sua mãe provavelmente já estaria preocupada com ela. Então ela resolveu voltar para casa.
Foi andando sem muita pressa, sentindo as gotinhas bem geladas caindo em seu corpo. Era uma sensação incrível, que só ela sentia. Estava quase chegando. Sua casa ficava em uma rua meio deserta, com algumas árvores caídas. Agora, a rua estava cheia de cachorros e de gatos que procuravam algum lugar para se proteger da chuva. A mesma chuva que, para Julia, era magnífica, para aqueles animais era um desastre.
Finalmente, ela conseguiu chegar. Mas percebe que as luzes estão acesas. Ela entra com calma pelo portão e tira cuidadosamente duas chaves do bolso. Abriu a porta, e entrou na sala. Sua mãe estava lhe esperando. Então Julia disse:
-Boa noite, mamãe! – com um sorriso falso, para tentar disfarçar a preocupação. Então sua mãe lhe respondeu, com a voz num tom um tanto agressivo:
-Boa noite! Por que demorou tanto? Já se esqueceu que temos que acordar cedo amanhã?
Julia se sentiu um pouco arrependida.
-Desculpe, mamãe. Prometo acordar bem cedo.
-Tudo bem. Mas ainda temos que arrumar nossas malas para a viagem. Não se esqueça de pegar o presente da sua avó.
-Tudo bem,mamãe. Eu vou pegar.
-Vou tomar um banho, e você, vá jantar. Depois, arrume as malas e vá dormir. Amanhã vamos ter um longo dia pela frente.
-Pode deixar,mamãe.
E então, Julia se despediu da mãe, e foi para a cozinha. Comeu alguma coisa, e resolveu ir para o quarto. Ficou feliz, já que sua mãe não ficou tão brava.
Julia abriu a porta do quarto, e sentou-se na cama. Era uma cama bem simples, mas confortável. Pelo menos para ela. Resolveu procurar o presente de sua avó. Levantou-se da cama, e saiu procurando pelo quarto. Revirou gavetas e gavetas, até derrubou algumas coisas no chão. Procurou muito, até que se cansou e resolveu sentar no chão. Quando se acalmou,percebeu que o presente estava num lugar muito visível. Pensou “-Ele estava ali o tempo todo?” – E resolveu pegá-lo. Ele estava bem embrulhadinho, com um papel bem bonito, todo decorado. Era um livro. Um livro bem antigo. Ela se perguntava o motivo de sua mãe estar dando um presente assim à sua avó. Ela viu o livro antes de sua mãe embrulhá-lo. Ele era um livro velho, com alguns riscos na capa, mas não apresentava nenhum sinal que dissesse que ele era tão velho assim, a não ser pelas folhas um pouco amareladas. A capa era bem resistente, e com um símbolo que ela realmente não sabia o que era. Não havia nada escrito no livro. Só um símbolo na capa. Vai ver é para escrever alguma história, pensou ela. Depois de analisar mais uma vez o livro, ela resolveu guardá-lo numa mala de viagem, junto com algumas roupas que já estavam guardadas. Então resolveu terminar de arrumar as roupas e os brinquedos. Julia ainda gostava de brinquedos. Nunca foi muito fã de bonecas, exceto por uma. Ela sempre preferiu brinquedos mais “divertidos”, que não fossem tão entediantes. Ela tinha apenas doze anos. Não era tão pequena, mas também não era muito alta. Tinha cabelos castanhos, de uma cor meio escura. Olhos azuis penetrantes. Quando alguém a olhava diretamente nos olhos, a pessoa viajava... Ia até o mar, até o céu, e voltava...           

Em construção

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