domingo, 13 de novembro de 2011

Capítulo 2 - Sonhos e Memórias - Pg. 5

Então Julia percebeu que a floresta começou a reviver. Aquela floresta destruída, com animais mortos e árvores com folhas e galhos secos, já não era mais a mesma. Tudo estava voltando ao normal. Tudo ganhava vida.
-Você sabe o que é isso? - Disse a garota.
-Não... Só sei que... não é real...
-É real.
-Então como isso aconteceu? Quem fez isso?
-Eu não posso dizer.
-Me responda! Quem foi que fez isso?
-Você vai saber.
-Foi você? Ei,espere! - E então tudo começou a desaparecer bem lentamente, como um sonho, de fato.
-Eu disse que você saberá. Não seja teimosa.
-Por que você não quer contar? Espere! Não vá! O que está havendo?
-Acorde, Julia.
-Acordar?
E quando Julia percebeu, ela já estava acordada. Sua mãe estava ao seu lado.
-Eu estava passando pelo corredor e resolvi abrir a porta do seu quarto para te acordar, pois já estava no horário. Mas você começou a se debater na cama e...
-Tudo bem, mamãe.
-Você teve um pesadelo, minha querida?
-Não. Na verdade, eu não sei. Nem sei se era um sonho. Parecia tão real.
-Entendo. Às vezes temos sonhos assim. É normal. Espero que tenha dormido muito bem, pois agora precisamos nos arrumar rapidamente. O relógio acabou despertando um pouco depois do que o programado e se não andarmos logo vamos perder o trem.
-Tudo bem,mãe.
E Lanah deu um beijo na testa de Julia e um abraço. Então partiu para o seu quarto, para se arrumar. Julia ficou na cama, pensando no sonho. Será que aquilo era realmente um sonho?
De tanto pensar, acabou se cansando e lembrou-se que deveria se arrumar logo, pois poderia perder o horário do trem. Ela estava ansiosa para visitar sua avó. Então levantou-se e tomou um banho quente. Colocou um vestidinho azul que ela não vestia há muito tempo. Calçou suas sandálias brancas, arrumou sua bolsa de viagem mais uma vez, olhou para o presente de sua avó, que estava todo embrulhadinho, e sorriu, pensando em como a avó reagiria ao ver o presente estranho que sua mãe queria dar.
Saiu do quarto pensando no sonho. Desceu as escadas e chegou até a sala. Sua mãe estava lhe esperando.
-Está pronta?
-Sim,mamãe.​
-Pegou o presente de sua avó?
-Sim,sim, claro.
-Então vamos, querida. Ah, pegue este casaco. Está frio lá fora.
-Tudo bem.
Então trancaram a casa e saíram. Caminharam até a estação onde havia  vários trens. Felizmente o trem que ia até Wise,a cidade onde morava a avó de Julia, ainda estava lá. Então as duas entraram rapidamente no trem. E assim partiram para a cidade de Wise.

Capítulo 2 - Sonhos e Memórias - Pg. 4

De repente, a garota tira um papel do bolso do seu pequeno vestidinho branco e coloca nas mãos de Julia.
-Você consegue ler o que está escrito?
-Não, isso parece estar em outro idioma... De onde você veio?
-Este idioma é muito antigo. Bem mais antigo que todos nós, na verdade. Eu vim de onde você veio.
-De onde eu vim? Da cidade de Deth?
-Não exatamente da cidade de Deth. Mas do nosso mundo.
-Que mundo é esse? - Perguntou Julia, confusa.
-Um dia você vai saber,pequena Julia.
-Como você sabe meu nome? E por que disse “pequena Julia” se você tem o mesmo tamanho que eu?
-Digamos que eu te conheço há bastante tempo.
-Isso não explica nada! Poderia ser mais específica?
-Eu sou muito mais velha que você.
-Não é não!
-Minha querida,acalme-se. Um dia você vai entender. E creio que, por você estar aqui, este dia chegará em breve.
-Me diga então, pelo menos, o seu nome. E o que está escrito neste papel.
-Ora, não posso responder suas perguntas, me desculpe. Mas gostaria de lhe mostrar algumas coisas sobre o nosso mundo. Venha comigo, creio que não irá se arrepender.
-Me responda primeiro.
-Pelo visto é perseverante e insistente como sua mãe.
-Você conhece minha mãe?
-Conheço. Assim como conheço você. Mas você não conhece este mundo, certo?
-Não. Só sei que estou sonhando...
-Então venha, vou lhe mostrar mais sobre este mundo.
-Eu não entendo. Que mundo? Eu só vi uma floresta destruída e uma casinha abandonada. E agora vejo uma garotinha que saiu de um quadro,junto com um gato preto muito assustador. Isso é um sonho! É loucura!
-Ora, é uma gatinha. É fêmea. E ela não é assustadora, ela é fiel e muito amiga. E eu não saí de um quadro. Quer dizer, saí, mas... Sim, isto aqui é um sonho. Mas retrata uma realidade. Realidade que você irá desvendar sozinha daqui algum tempo. Mas por enquanto, deixe-me guiar você e lhe mostrar um pouco sobre essa realidade que, provavelmente é desconhecida e misteriosa para você. Confie em mim. Pegue em minha mão.
-Não confio em você. Eu nem te conheço!
-Conhece sim. Vamos, pegue em minha mão.
-Tudo bem...
E assim, Julia,a garotinha misteriosa e o gato, caminharam até a portinha de madeira. Então a garotinha disse:
-Muito bem. Agora prepare-se, pois este mundo é diferente de tudo que você já viu.
-Tudo bem.
Então a garotinha posicionou suas mãos em cima da maçaneta da porta, uma maçaneta bem velha, e a girou. Abriu a porta com cuidado, bem delicadamente, e uma luz bem forte apareceu. Quando as duas conseguiram enxergar melhor, percebram que estavam olhando para a floresta. A mesma floresta destruída que Julia havia visto pela janela.
-Eu já tinha visto isso. - Disse Julia.
-Mas não com esses olhos.
-Que olhos?

sábado, 12 de novembro de 2011

Capítulo 2 - Sonhos e Memórias - Pg. 3

Segundo Capítulo – Sonhos e memórias.

Julia não conseguia tirar os olhos do misterioso quadro.
Não só pelos lindos cabelos da garota, mas porque ela era muito parecida com ela mesma. Lembrava um pouco sua mãe também. Mas tinha olhos mais claros, olhos azuis,meio esverdeados,como os olhos de sua mãe. Olhos que representavam coragem, perseverança, determinação. Olhos que representavam uma vida toda. Ela pensou que poderia ser sua mãe. Mas sua mãe não tinha cabelos tão negros, mas sim castanhos. Pensou em sua avó. Mas ela nunca havia visto uma foto de sua avó mais jovem. Então como poderia saber se ela tinha cabelos negros? Ela pensou, pensou e pensou... E na verdade,não conseguiu pensar muito. Ela só conseguia ficar parada, olhando para o quadro. Parecia que tinha algo por trás daquele quadro. Algo que prendia Julia ali. Ela só não sabia o que era.
Ela conseguiu juntar algumas forças, e por algum motivo,conseguiu sair do lugar. Desviou sua atenção. Procurou continuar vasculhando a casa,só que dessa vez com mais determinação e sem ficar olhando para quadros. Ela andou um pouco,e chegou até uma salinha bem pequena. Parecia uma cozinha, pois havia um fogão a lenha e uma mesa com uma toalha,no centro da cozinha. Nada mais. Então ela resolveu abaixar-se para levantar a toalha da mesa. Estava toda empoeirada, e Julia acabou espirrando.
Nisso, ouviu um barulho estranho. Parecia ser algum animal entrando pela porta,ou pela janela. Talvez estivesse caminhando pelo telhado. Ela ignorou. Olhou embaixo da mesa,e não viu nada. Quando se levantou, ouviu novamente aquele barulho estranho. Resolveu continuar caminhando pela pequena casinha de madeira,até que encontrou uma estante. Uma enorme estante,que deveria estar repleta de livros. Talvez fosse uma biblioteca. Mas por que uma casinha de madeira velha e abandonada, no meio de uma floresta,teria uma biblioteca? Ela não entendia. E tudo parecia ser real demais. Não parecia um sonho. Era algo mais “vivo”, como uma lembrança. Mas ela não se lembrava de ter sonhado com algo assim, muito menos vivido. Continuou vasculhando a estante, e não encontrou nada além de pó, e um papel amassado, com uma letra muito elegante. O papel apresentava sinais de envelhecimento. Já estava bem amarelado. Julia tentou ler o que estava escrito no papel, mas não conseguiu. Parecia ser outra língua. Uma língua bem estranha. De repente, Julia escuta o barulho mais uma vez, e acaba olhando para uma das janelinhas da casa. Ela não vê nada. Mas olha um pouco mais para baixo e percebe que havia um pequeno criado-mudo meio que escondido entre as folhas que estavam dentro da casinha abandonada. Ela olhou para o livro como se ele fosse a água que mataria a sede dela no deserto.
De repente,foi surpreendida por uma voz. Uma voz doce e encantadora. Ela ficou assustada. A voz chamava pelo seu nome. Ela não conseguiu pensar em nada. Ficou completamente imóvel. Até que sentiu uma mão em seu ombro direito. Conseguiu se virar. Era aquela garota. A garota do quadro.
-Quem é você?! O que é você? Como saiu daquele quadro? O que é isso?!
-Acalme-se, minha querida. Isto aqui é apenas um sonho. Seu sonho, não é mesmo?
E nisso, uma gatinha saltou nos braços da garota. Era uma gata com pelos bem negros, assim como os cabelos da menina. Tinha uma coleira com um sininho dourado,e nada mais. A gatinha olhava para Julia como se tivesse todas as respostas para suas perguntas. Olhava com desconfiança,sabedoria e com compaixão ao mesmo tempo. Julia se sentiu confusa, e tentou levar as palavras da garota consigo mesma. “Isto aqui é apenas um sonho.” - Pensou ela.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Capítulo 1 - A chegada do inverno. - Pg. 2

Julia, apesar de ter apenas doze anos de idade, aparentava ter treze, pelo seu jeito.
Enquanto arrumava suas roupas e alguns brinquedos, pensava em mil coisas. Pensava em como ia aproveitar o inverno com a sua avó. Ela adorava viajar para visitá-la. As duas não faziam muitas coisas juntas, mas ela gostava mesmo assim. Mas sempre teve um certo receio. Sempre desconfiou um pouco da avó, mas sem motivo algum. Sua avó era como ela: gostava de desafios. E adorava sonhar. Quando sonhava, se sentia tão feliz, que gostaria de permanecer sonhando a vida inteira. Mas, como vive dizendo sua mãe, não podemos sonhar a vida toda. Sonhos são apenas sonhos, não se realizam. Sua mãe, diferente de sua avó, sempre foi mais “insensível”, e mais “realista”. Talvez porque perdeu o pai logo cedo. Mas, se pensarmos por este lado, a avó de Julia também perdeu o marido e não se tornou uma pessoa tão arrogante como sua mãe. Mas Julia sabia que, apesar de tudo, sua mãe era uma boa pessoa. Ela podia até ser insensível, um tanto egoísta às vezes, pessimista demais... Mas mesmo assim, era uma boa pessoa. Nunca ousou desejar mal algum a ninguém. Julia sabia disso melhor que todos.
Quando terminou de arrumar as roupas, fechou a mala e a colocou numa cadeira de madeira que havia em seu quarto. Trocou de roupa e foi dormir. Sua mãe,como de costume,mais tarde resolveu abrir a porta do quarto para desejar uma boa noite à menina. Aproximou-se à cama, e deu um beijinho bem delicado na testa de Julia. A mãe de Julia, Srª. Lanah, não sabia que, sempre que fazia isso, Julia ainda estava acordada. Mas ela nunca acordava e retribuía o beijo e o “boa noite”. Ela sempre ficava quieta para não estragar o momento. Gostava muito de sua mãe.
Lanah saiu do quarto sorrindo, feliz por ter sua filha, sua casa, sua vida. Feliz por existir. Foi para o quarto, apagou as luzes, aproximou-se à cama, pensou em sua mãe e em sua filhinha que agora dormia. E nessa onda de pensamentos, acabou fechando os olhos. Ela dormia.
Julia estava dormindo,deitada confortavelmente em sua cama. Até que teve um sonho. Um sonho bem estranho...
Ela estava em uma casa no meio da floresta. Uma casinha bem velha,de madeira. Parecia abandonada. Aquele lugar também não parecia ser uma floresta. Tudo estava meio destruído. Julia sempre foi muito curiosa, então decidiu vasculhar a casa. Ela estava sentada num sofá velho e com um cheiro um tanto desagradável. Ela se levantou e foi em busca de algo. Ela só não sabia o quê.
E foi aí que ela viu um quadro. Ele tinha uma moldura que parecia ser de ouro. Um ouro bem velho. Mas não foi a moldura de ouro que atraiu Julia. E sim a bela pintura. Pintura que retratava uma moça de cabelos lisos,bem negros. Julia se perdeu na escuridão dos cabelos da garota.

domingo, 23 de outubro de 2011

Capítulo 1 - A chegada do inverno. Pg. 1

Era um dia chuvoso. O frio tomava conta da cidade de Deth, anunciando que o Inverno já havia chegado. Julia estava na rua, sozinha, e olhava para o vasto céu como se ele fosse seu refúgio. Observava atentamente cada gotinha que caía. Ela sorria. Sem malícia, sem fingimento, sem maldade. Apenas com a inocência de uma criança. E aquele fantástico sorriso ao perceber que estava esfriando. Ela ama a primavera, mas prefere o Inverno. De repente, percebeu que já estava tarde demais, e que sua mãe provavelmente já estaria preocupada com ela. Então ela resolveu voltar para casa.
Foi andando sem muita pressa, sentindo as gotinhas bem geladas caindo em seu corpo. Era uma sensação incrível, que só ela sentia. Estava quase chegando. Sua casa ficava em uma rua meio deserta, com algumas árvores caídas. Agora, a rua estava cheia de cachorros e de gatos que procuravam algum lugar para se proteger da chuva. A mesma chuva que, para Julia, era magnífica, para aqueles animais era um desastre.
Finalmente, ela conseguiu chegar. Mas percebe que as luzes estão acesas. Ela entra com calma pelo portão e tira cuidadosamente duas chaves do bolso. Abriu a porta, e entrou na sala. Sua mãe estava lhe esperando. Então Julia disse:
-Boa noite, mamãe! – com um sorriso falso, para tentar disfarçar a preocupação. Então sua mãe lhe respondeu, com a voz num tom um tanto agressivo:
-Boa noite! Por que demorou tanto? Já se esqueceu que temos que acordar cedo amanhã?
Julia se sentiu um pouco arrependida.
-Desculpe, mamãe. Prometo acordar bem cedo.
-Tudo bem. Mas ainda temos que arrumar nossas malas para a viagem. Não se esqueça de pegar o presente da sua avó.
-Tudo bem,mamãe. Eu vou pegar.
-Vou tomar um banho, e você, vá jantar. Depois, arrume as malas e vá dormir. Amanhã vamos ter um longo dia pela frente.
-Pode deixar,mamãe.
E então, Julia se despediu da mãe, e foi para a cozinha. Comeu alguma coisa, e resolveu ir para o quarto. Ficou feliz, já que sua mãe não ficou tão brava.
Julia abriu a porta do quarto, e sentou-se na cama. Era uma cama bem simples, mas confortável. Pelo menos para ela. Resolveu procurar o presente de sua avó. Levantou-se da cama, e saiu procurando pelo quarto. Revirou gavetas e gavetas, até derrubou algumas coisas no chão. Procurou muito, até que se cansou e resolveu sentar no chão. Quando se acalmou,percebeu que o presente estava num lugar muito visível. Pensou “-Ele estava ali o tempo todo?” – E resolveu pegá-lo. Ele estava bem embrulhadinho, com um papel bem bonito, todo decorado. Era um livro. Um livro bem antigo. Ela se perguntava o motivo de sua mãe estar dando um presente assim à sua avó. Ela viu o livro antes de sua mãe embrulhá-lo. Ele era um livro velho, com alguns riscos na capa, mas não apresentava nenhum sinal que dissesse que ele era tão velho assim, a não ser pelas folhas um pouco amareladas. A capa era bem resistente, e com um símbolo que ela realmente não sabia o que era. Não havia nada escrito no livro. Só um símbolo na capa. Vai ver é para escrever alguma história, pensou ela. Depois de analisar mais uma vez o livro, ela resolveu guardá-lo numa mala de viagem, junto com algumas roupas que já estavam guardadas. Então resolveu terminar de arrumar as roupas e os brinquedos. Julia ainda gostava de brinquedos. Nunca foi muito fã de bonecas, exceto por uma. Ela sempre preferiu brinquedos mais “divertidos”, que não fossem tão entediantes. Ela tinha apenas doze anos. Não era tão pequena, mas também não era muito alta. Tinha cabelos castanhos, de uma cor meio escura. Olhos azuis penetrantes. Quando alguém a olhava diretamente nos olhos, a pessoa viajava... Ia até o mar, até o céu, e voltava...           

Em construção

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