sábado, 12 de novembro de 2011

Capítulo 2 - Sonhos e Memórias - Pg. 3

Segundo Capítulo – Sonhos e memórias.

Julia não conseguia tirar os olhos do misterioso quadro.
Não só pelos lindos cabelos da garota, mas porque ela era muito parecida com ela mesma. Lembrava um pouco sua mãe também. Mas tinha olhos mais claros, olhos azuis,meio esverdeados,como os olhos de sua mãe. Olhos que representavam coragem, perseverança, determinação. Olhos que representavam uma vida toda. Ela pensou que poderia ser sua mãe. Mas sua mãe não tinha cabelos tão negros, mas sim castanhos. Pensou em sua avó. Mas ela nunca havia visto uma foto de sua avó mais jovem. Então como poderia saber se ela tinha cabelos negros? Ela pensou, pensou e pensou... E na verdade,não conseguiu pensar muito. Ela só conseguia ficar parada, olhando para o quadro. Parecia que tinha algo por trás daquele quadro. Algo que prendia Julia ali. Ela só não sabia o que era.
Ela conseguiu juntar algumas forças, e por algum motivo,conseguiu sair do lugar. Desviou sua atenção. Procurou continuar vasculhando a casa,só que dessa vez com mais determinação e sem ficar olhando para quadros. Ela andou um pouco,e chegou até uma salinha bem pequena. Parecia uma cozinha, pois havia um fogão a lenha e uma mesa com uma toalha,no centro da cozinha. Nada mais. Então ela resolveu abaixar-se para levantar a toalha da mesa. Estava toda empoeirada, e Julia acabou espirrando.
Nisso, ouviu um barulho estranho. Parecia ser algum animal entrando pela porta,ou pela janela. Talvez estivesse caminhando pelo telhado. Ela ignorou. Olhou embaixo da mesa,e não viu nada. Quando se levantou, ouviu novamente aquele barulho estranho. Resolveu continuar caminhando pela pequena casinha de madeira,até que encontrou uma estante. Uma enorme estante,que deveria estar repleta de livros. Talvez fosse uma biblioteca. Mas por que uma casinha de madeira velha e abandonada, no meio de uma floresta,teria uma biblioteca? Ela não entendia. E tudo parecia ser real demais. Não parecia um sonho. Era algo mais “vivo”, como uma lembrança. Mas ela não se lembrava de ter sonhado com algo assim, muito menos vivido. Continuou vasculhando a estante, e não encontrou nada além de pó, e um papel amassado, com uma letra muito elegante. O papel apresentava sinais de envelhecimento. Já estava bem amarelado. Julia tentou ler o que estava escrito no papel, mas não conseguiu. Parecia ser outra língua. Uma língua bem estranha. De repente, Julia escuta o barulho mais uma vez, e acaba olhando para uma das janelinhas da casa. Ela não vê nada. Mas olha um pouco mais para baixo e percebe que havia um pequeno criado-mudo meio que escondido entre as folhas que estavam dentro da casinha abandonada. Ela olhou para o livro como se ele fosse a água que mataria a sede dela no deserto.
De repente,foi surpreendida por uma voz. Uma voz doce e encantadora. Ela ficou assustada. A voz chamava pelo seu nome. Ela não conseguiu pensar em nada. Ficou completamente imóvel. Até que sentiu uma mão em seu ombro direito. Conseguiu se virar. Era aquela garota. A garota do quadro.
-Quem é você?! O que é você? Como saiu daquele quadro? O que é isso?!
-Acalme-se, minha querida. Isto aqui é apenas um sonho. Seu sonho, não é mesmo?
E nisso, uma gatinha saltou nos braços da garota. Era uma gata com pelos bem negros, assim como os cabelos da menina. Tinha uma coleira com um sininho dourado,e nada mais. A gatinha olhava para Julia como se tivesse todas as respostas para suas perguntas. Olhava com desconfiança,sabedoria e com compaixão ao mesmo tempo. Julia se sentiu confusa, e tentou levar as palavras da garota consigo mesma. “Isto aqui é apenas um sonho.” - Pensou ela.

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